Começa nesta segunda-feira
(11) a Campus Party 2008, edição brasileira do megaevento tecnológico
que ocorre pela primeira vez fora da Espanha. O evento desembarca no
Brasil em busca dos internautas ".br" e sua relação diferenciada com a
internet.
O evento será realizado no
prédio da Bienal do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, entre
segunda-feira e domingo (17). A idéia é discutir tecnologia, conteúdo
e entretenimento em frentes como astronomia, robótica, software livre,
games, simulação, modding (modelagem de computadores), música e blogs.
(Confira a
programação completa aqui)
Segundo os organizadores, o
Brasil foi escolhido para sediar o evento em razão da febre vivida
pela população com a web. "Nós não temos acesso à internet, temos um
problema de déficit, de exclusão digital. No entanto, os brasileiros
parecem uma praga [na rede]. Aprendem muito rápido e são muito bons na
internet", afirma o diretor do evento, Marcelo Branco.
Segundo ele, o fato de o
brasileiro ser campeão em número de horas gastas na rede é um exemplo
disso.
Acampamento
O principal diferencial da
Campus Party é o fato de os participantes poderem ficar acampados no
local --o que fez com que o evento recebesse o apelido de "nerdstock".
O evento, no entanto, diz não ter qualquer tolerância a drogas ou
bebidas alcoólicas. Haverá espaço restrito para fumantes.
"Aceitamos a inscrição de
menores. Não tem como aceitar que menores circulem em áreas em que
haja esse tipo de coisa [drogas]", afirma Roberto Andrade, diretor de
comunicação e marketing da Futura Networks no Brasil, organizadora do
Campus Party.
A idade mínima para participar
é 12 anos completos, mas menores de 18 anos devem apresentar
autorização dos pais e estar acompanhados por um maior responsável,
durante todo o evento. De acordo com Andrade, entre os 3.000 inscritos
há grupos de pais e filhos que ficarão acampados no local.
Quem comprou os ingressos, já
esgotados, poderá se mudar de mala, cuia e computador para o local e
terá direito a um espaço na arena dos computadores, uma tomada, um
ponto na conexão de 5 GB, uma barraca e livre acesso às atividades
oficiais do evento.
É preciso levar o próprio
computador --portátil ou não. Nas edições anteriores, na Espanha, não
era incomum que os participantes levassem ao "acampamento" máquinas
bastante avançadas, para rodar games, por exemplo. Os PCs ficarão
instalados em um andar da Bienal. Segundo a organização, é mais seguro
deixar as máquinas instaladas na arena, mesmo que "sozinhas", do que
ficar "passeando" com elas pelo local.
Para impedir o furto dos
equipamentos, participante e computador vão receber uma mesma
identificação digital, por meio de uma espécie de fita magnética. A
máquina só sai da Bienal acompanhada da pessoa que entrou com ela.
Dos 3.000 inscritos, a
expectativa é que cerca de 1.600 fiquem acampados na Bienal --o último
andar do prédio foi reservado para instalação das barracas.
De graça
Haverá também uma área
gratuita, que ficará aberta durante o dia. Trata-se de um espaço
dominado por estandes de patrocinadores do evento, mas com atrações
interessantes. Os visitantes poderão, por exemplo, usar a Reactable,
instrumento musical high-tech que emite sons de acordo com o movimento
de objetos colocados sobre ele.
Também será possível se tornar
um personagem de videogame e lutar kung fu com o game de simulação
Kick Ass Kung. Chama atenção também o anúncio da exibição de um
"sapato para prostituta", dotado de localizador GPS e um sistema que
emite sinais de alerta à polícia caso a moça se sinta em perigo.
Competição
Apesar de, no evento pago, os
participantes terem acesso a atividades "sérias", como palestras,
workshops e oficinas, o que promete chamar, de fato, a atenção, são os
torneios de games. De acordo com a organização, 24% dos inscritos são
"gamers" e devem participar das competições --algumas darão prêmio em
dinheiro.
Isso apesar de, na semana
passada, essa área ter sofrido uma baixa importante. A organização do
Campus Party decidiu suspender a realização de torneios de Counter
Strike, em razão de o jogo ter sido proibido no Brasil.
Durante o evento deveria
ocorrer a final de uma espécie de Campeonato Brasileiro de Counter
Strike, envolvendo 72 jogadores de todo o país. "Estamos apenas
cumprindo uma decisão judicial", afirma Andrade, da Futura.
De acordo com ele, houve uma
"forte reação" dos jogadores em razão da suspensão do torneio. Por
isso, ficou decidido que haverá uma manifestação durante a Campus
Party contra a decisão judicial que proibiu a venda e comercialização
do game no país. A data ainda não foi definida.
A primeira manifestação contra
o embargo do Counter Strike levou cerca de 30 pessoas à avenida
Paulista, em São Paulo.
Na noite
Também haverá atividades nas
madrugadas da Campus Party. DJs e outros músicos devem fazer
apresentações no evento entre 22h e 3h --a organização tenta negar que
sejam baladas. Depois desse horário, a ordem é fazer silêncio. "Mas o
pessoal deve vir para a arena e continuar usando o computador", afirma
Andrade.
Isso porque o público do
evento é formado realmente pelos aficionados por tecnologia. "São
heavy users de internet, líderes de comunidades virtuais, é o
pessoal que está pensando, produzindo tecnologia", diz o organizador.