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Em defesa do setor

Presidente da Frente Parlamentar criada para o ensino superior particular, deputado João Matos fala sobre as atribuições do instrumento político

Jeferson Zagonel

Há pouco mais de dois meses o deputado João Matos (PMDB-SC), membro da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, sentiu a necessidade de agregar os interesses das instituições particulares de ensino superior num mesmo ambiente de discussão e ganhar mais força para articular as preocupações do segmento com o futuro da educação no país. Assim surgiu a idéia de instalar a Frente Parlamentar de Apoio ao Ensino Superior, que conta com a participação de mais de 30 parlamentares, incluindo o ex-ministro da Educação e atual deputado federal Paulo Renato (PSDB-SP), e que tem João Matos como presidente.

"Precisávamos de um instrumento político para brigar pela qualidade do ensino e pela defesa de políticas públicas que garantam a expansão racional do ensino superior no Brasil. Por isso estamos criando a Frente. O setor privado quer ser visto como parceiro na construção de um novo modelo para essa área no Brasil", destaca o parlamentar. A Frente foi lançada oficialmente em Brasília no dia 18 de dezembro.

Em entrevista à revista Ensino Superior, Matos diz que o atual modelo é antiquado e não ajuda no desenvolvimento do país. Ele reclama da "intromissão" das entidades de classe como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Médica Brasileira (AMB) na expansão de cursos de Direito e Medicina e diz que "quem tem de definir o ritmo do crescimento desses cursos é o mercado". Para ele, o governo federal tem adotado o caminho correto quando volta a incentivar uma rede de formação de tecnólogos por meio dos Centros Federais de Formação Tecnológica (Cefets) e acerta ao retomar o aumento do número de vagas nas universidades federais.

Ensino Superior - Por que o senhor propôs a criação de uma frente parlamentar para defender a educação superior? Como surgiu essa idéia?

Surgiu de uma conversa com o segmento do ensino superior da iniciativa privada e também das instituições públicas e filantrópicas. Precisávamos de uma frente que brigasse pela qualidade do ensino e pela criação de políticas públicas que garantam a expansão racional do ensino superior. Por outro lado, também queremos medidas que levem ao reconhecimento e à valorização desses segmentos, quer seja o público, o privado ou o filantrópico. Queremos destacar de uma vez por todas a participação importante que a iniciativa privada tem prestado ao crescimento quantitativo e de qualidade nesse mercado. O setor quer ser visto como parceiro, quer dar sua parcela de contribuição com compromissos que resultem na melhora do ensino superior. Somos responsáveis por 74% das matrículas do ensino superior no país. Essa participação da iniciativa privada é bastante significativa. O segmento tem consciência de que pode dar uma parcela de contribuição decisiva nesse novo modelo que se precisa no Brasil. Vamos tentar manter uma interlocução direta com o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Ensino Superior - Como a Frente pode ajudar?

Pode ajudar nas grades curriculares, na formação dos alunos e em como sairá o profissional da universidade. Precisa ver onde a iniciativa privada pode complementar o ensino superior público. A iniciativa privada tem suprido as demandas não atendidas pelo ensino público e na maioria das vezes é a única opção. Santa Catarina é um exemplo disso. Lá, o acesso à universidade pública só está disponível em oito municípios. Tem a Universidade Federal de Santa Catarina e a Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e todo o restante do território é atendido por instituições privadas ou filantrópicas. As privadas é que atendem as pessoas, o filho do trabalhador que não pode mudar para a capital. Via de regra, ela atende as categorias menos favorecidas. E por fazer esse papel é que esse segmento precisa do reconhecimento do setor público. A Frente pode ajudar a aclarar esse papel.

Ensino Superior - Esse reconhecimento ainda é pequeno?

Está se avançando realmente nesse sentido, mas ainda precisa de mais diá­logo. Desde o ministro Paulo Renato (ministro da Educação na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) o segmento teve oportunidades e começou a se expandir. E continuou agora com os ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente com Fernando Haddad (atual ministro da pasta), que é um homem de diálogo.

Ensino Superior - O senhor citou os avanços durante a gestão do ministro Paulo Renato, mas muito se fala sobre a expansão exagerada de cursos superiores em todo o país naquele período. O senhor acha que houve exageros?

Se houve expansão é porque havia demanda reprimida. Com o Paulo Renato se avançou e, se houve um outro exagero, eles foram consertados na seqüência. Há um ditado que diz "conforme a carroça anda as abóboras se ajeitam". Com os novos ministros foram identificados os caminhos que precisam de correção. Acho que ainda há um exagero de legislação e isso tem de mudar. O sistema de educação é surpreendido semanalmente com normas e portarias.

 

continua...

 

 
 

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