Vá se acostumando: o "recreio"
passa a ser "intervalo" e a recuperação deixa de existir. Se não
atingir a nota mínima para aprovação em determinada disciplina, você
"ficará de DP", ou seja, em dependência da matéria e terá de cursá-la
novamente no ano seguinte.
Em menor ou maior escala,
essas são algumas das inúmeras diferenças entre o ensino médio e a
universidade com as quais o calouro tem de aprender a lidar logo de
início.
Em muitas universidades, em
geral os CAs (esta aí outra novidade: os centros acadêmicos são
entidades formadas por grupos de estudantes que representam os alunos
do respectivo curso), promovem na primeira semana de aulas uma
recepção aos novatos para que conheçam os veteranos e os outros
"bichos" e já se familiarizem com a faculdade.
Na USP, por exemplo, a semana
de recepção será realizada de 25 a 29 deste mês com intensa agenda de
atividades.
"No dia 28, ocorrerá a
Calourada Unificada, com palestras e oficinas durante o dia todo",
explica Washington Tominaga, diretor do DCE (Diretório Central dos
Estudantes) da USP, que representa todos os alunos da graduação e os
de pós e está à frente da organização da semana com os CAs.
Maturidade
"O aluno do primeiro ano
geralmente fica muito perdido e tem receio de ir buscar informação. No
entanto, ele deve entender que, nesta nova fase da vida, ele não é
mais "protegido" pela instituição, como era na escola, e terá de ir
atrás dos seus próprios interesses", orienta Claudio José Langroiva
Pereira, coordenador do curso de direito da PUC-SP.
Até mesmo o ritmo de aulas
muda. Em vez de receber uma formação mais geral, como na escola, as
disciplinas são mais específicas, e a aprendizagem depende de leituras
mais amplas e aprofundadas, que o aluno tem de fazer por conta própria
fora de aula.
O coordenador do curso de
direito da PUC ressalta que é importante conhecer as regras
universitárias, até para reivindicar os seus direitos.
"No caso de doença ou questões
médicas, por exemplo, muitos estudantes não sabem que podem pedir
regime domiciliar e, eventualmente, entregar trabalhos e fazer provas
em datas especiais. Depois, tentam abonar as faltas com atestado
médico, mas não é assim que funciona", afirma Pereira.
Outra recomendação dele é que
o estudante participe da vida universitária e se inteire das
atividades extra-classe. "O aluno deve freqüentar o CA, visitar o site
da instituição para saber o que acontece de interessante e procurar
conversar com professores e coordenadores para usufruir das
oportunidades que um ambiente universitário proporciona", avalia
Pereira.
O quartanista de direito
Raphael Rodrigues Soré, 20, integra a gestão que assumiu em dezembro
passado o CA da Faculdade de Direito da São Francisco. "Representamos
politicamente os alunos e defendemos seus interesses diante da
universidade, além de promover festas, eventos e palestras."
Outra novidade do meio
universitário é a atlética --grupo de alunos que organiza os jogos e
as festas para alunos de um ou mais cursos. Algumas atléticas recebem
verba da faculdade.
É o caso da liga atlética do
Mackenzie, que recebe, anualmente, cerca de R$ 300 mil, além do
dinheiro arrecadado com convites de festas e patrocínios. Estes,
aliás, os maiores aliados dos membros da atlética. "Passo o ano todo
correndo atrás de patrocínio para organizar os eventos", diz Leandro
Martins, 25, presidente da liga.